quinta-feira, 12 de julho de 2007

Táxi solar dá volta ao Mundo

Louis Palmer, um idealista suíço de 35 anos, já cumpriu uma primeira etapa de seu périplo - de Lucerna a Berlim - à bordo de um veículo de dois lugares movido por baterias solares.

Ao todo, ele pretende percorrer 60 mil km pelo mundo, em 16 meses, e demonstrar que é possível utilizar energias alternativas para amenizar os efeitos das mudanças climáticas.

O automóvel saiu de Lucerna dia 03 de julho e chegou a Berlim no dia 7, primeira etapa de uma volta ao mundo de 60 mil km. Depois de ser notícia na imprensa alemã, o suíço Louis Palmer seguiu viagem para a leste europeu. Depois irá à Ásia, América do Norte e África e regressará pela Espanha, Grã-Bretanha, Holanda e novamente a Alemanha até chegar à Suíça.

"A América do Sul não está em meu itinerário", afirmou Palmer a swissinfo, durante coletiva à imprensa na embaixada suíça em Berlim.

"O fato dos incas terem sido grandes veneradores do sol (que consideravam como um deus) para mim é mais que suficiente para percorrer essa região. Estou muito interessado em viajar por lá", acrescentou.

"Peru, Bolívia e China, contudo, não estão em meu itinerário. Porém, como vou traçando o projeto final durante a viagem, se for convidado por Internet (http://www.solartaxi.com) poderia ir. Assim, em vez de dois anos, prologaria a viagem para três anos, por que não?", afirmou entusiasmado Louis Palmer, enquanto explicava aos jornalistas os detalhes de seu automóvel solar.

As baterias do carro são carregadas com energia solar. De construção simples, o painel integra os elementos de controle mais necessários para a segurança: faróis, buzina, sistema eletrônico, limpador de pára-brisa e nível de carga dos acumuladores. Tem ainda uma tomada de 220 volts para o barbeador, o aspirador ou para recarregar as baterias (em caso de necessidade durante a viagem).

Palmer também utiliza energia solar em sua casa e inclusive fornece parte de sua produção à rede pública da cidade. Esse visionário suíço calcula que durante a viagem gastará o equivalente da energia solar que seu sistema doméstico produz ou seja: 6 mil kilowats/hora. Com essa energia ele carregou as baterias do carro. A outra parte será carregada diretamente com a energia produzida no reboque do automóvel, durante a viagem.

"Isso equivale ao consumo de 0,8 litros de gasolina a cada 100 km de um automóvel convencional", movido à energia fóssil, explicou Palmer.

"O que quero demonstrar nesta viagem é que é possível ter uma mobilidade neutra para o clima do planeta e estou disposto a visitar todos os países (governos e instituições) que queiram saber dessa experiência", afirmou o ecologista suíço.

O projeto de Palmer foi imediatamente apoiado pelo governo da Alemanha. A secretária de Estado Astrid Klug, do Ministério do Meio Ambiente, foi a primeira a acompanhar Palmer em um passeio por uma bairro de Berlim.

"A tração elétrica terá um importante papel no futuro", disse Klug. "Por um lado, possibilita viajar sem produzir gases que provocam o efeito estufa. Por outro, tem um desempenho relativamente alto ao recuperar parte da energia durante a frenagem. Além disso, a eletricidade pode ser usada em todo o espectro das energias renováveis, ao contrário da biomassa nos motores a explosão", afirmou a secretária de Estado.

A Alemanha, que preside este ano o G8 (sete países mais industrializados e a Rússia), quer convencer também, "dando o exemplo", países emergentes como a China e a Índia, de que é preciso "fazer mais pela preservação do meio ambiente se quisermos reduzir pela metade as emissões de gases nocivos", nas próximas décadas.

Se China e Índia alcançarem o nível atual dos países industrializados - 600 automóveis por mil habitantes - as emissões de gases duplicariam rapidamente.

"Essas experiências (como o táxi solar de Louis Palmer) são sempre necessárias para demonstrar o rendimento dos sistemas de tração alternativos", disse o engenheiro Matthias Scheffer, do Ministério alemão do Meio Ambiente.

"Este modelo de automóvel não é para o grande mercado, porém serve para demonstrar que a mobilidade pode ser respeitosa do meio ambiente. Penso que isso permite mostrar aos grandes grupos montadores que é possível utilizar forças de tração alternativas e ajude a estimulá-los a investir para que, em 20 anos, possam fabricar automóveis desse tipo para o grande público. Em 20 anos - este é um prognóstico realista - será possível fabricar automóveis com todos os critérios de segurança e conforto que temos hoje, porém com tração alternativa", explicou Scheffer.

Depois de fazer uma apresentação para estudantes e professores da Universidade técnica de Berlim, Palmer viajou para Dresde e Leipzig, antes de continuar para Praga, onde chegará quarta-feira (11).

Depois passará por Budapeste, Viena e Belgrado antes de entrar na Ásia através de Istambul. Daí seguirá para o Paquistão, Índia, Austrália, Cingapura, China, Japão, Canadá e Estados Unidos. Toda a viagem poderá ser acompanhada pela Internet.

in Swissinfo

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