domingo, 22 de julho de 2007

Nordeste brasileiro com problemas energéticos num futuro breve

"Os recursos energéticos do Nordeste chegaram ao limite". A assertiva do professor João Nildo de Souza Vianna foi feita ontem, margeando "A questão energética do Nordeste" - painel de abertura do Fórum BNB de Desenvolvimento. Mas o diagnóstico do coordenador do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (CDS/Unb) é de uma repercussão em 2012, quando o Nordeste pode ficar às escuras. "O crescimento da oferta de energia está compatível com o não crescimento da economia", confronta Vianna. "O Centro-Sul, por exemplo, se atingir 4%, 4,5% de crescimento, daqui a três anos, terá um déficit energético", projeta.

Para o coordenador do CDS/UnB, os governos (federal e locais) têm que tomar medidas rigorosas "de melhoria da eficiência energética". Controlar o desperdício. Segundo João Nildo, 15% de energia se perde em transformadores, linhas de transmissão e "gatos" (ligações clandestinas); muito acima dos 5% a 7% toleráveis pelos padrões internacionais. "É melhor reduzir essas perdas do que construir usinas", orienta o pesquisador. A partir desse controle, João Nildo contabiliza cerca de 1.000 megawatts ou 7% a 8% a mais de fornecimento de energia.

Mais energia também pode ser produzida no campo. O Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel, proposto pelo Governo Federal desde 2003, é um bom investimento, avalia João Nildo. Em números citados por João Augusto de Araújo Paiva, gerente de implantação do Projeto Biodiesel Petrobras, durante o painel no BNB: o Brasil produziu 0,7 milhão de litros do combustível em 2005; 69 milhões de litros em 2006; e deve chegar a 720 milhões de litros este ano. Noutra perspectiva: "É uma oportunidade de emprego e renda que não se pode perder", destaca João Nildo Vianna.

"O grande desafio é a construção de uma produção sustentável", atenta o gerente de implantação do Projeto Biodiesel Petrobras. Os nós vão dos financiamentos à organização dos agricultores em cooperativas (capacitação). Além do equilíbrio no aumento gradual da produção de grãos "para se chegar a uma auto-eficiência. Mas é preciso ter cuidado para não cair na monocultura. A convivência com o semi-árido é fundamental", alerta Araújo Paiva. "O biodiesel tem um espaço enorme para crescer, tanto internamente quanto externamente. Agora, tem que ser (um plantio) consorciado com o alimento básico", dialoga João Nildo (CDS/UnB).

O Fórum BNB de Desenvolvimento termina hoje, em par com o XII Encontro Regional de Economia. A linha-mestra do encontro que celebra os 55 anos do Banco do Nordeste é "O Nordeste e o novo ciclo de investimentos".

Outras informações

- O Nordeste pode aproveitar o potencial para a geração de energia eólica e reforçar o fornecimento na Região. Até 2005, a capacidade instalada era de 28,7 MW e em 2006 passou para 237 MW.

- Segundo o professor João Nildo, da UnB, “o chuveiro elétrico é o grande vilão da ineficiência da energia elétrica”. Para reverter a perda, ele sugere investir R$ 2.800 (em média), por casa, em aquecimento solar.

- É possível aproveitar o potencial do Nordeste também para produzir biodiesel. Hoje, a Região produz 285 mil metros cúbicos/ano do combustível. Com as novas fábricas, estima-se que a produção supere 522 mil metros cúbicos/ano.

- A estrutura da oferta de energia no Brasil em 2006 é de 1,6% de carvão e derivados, 4% de gás natural, 4,2% de biomassa (inclui lenha, bagaço de cana, entre outras), 8,7% vindas de importação, 0,05% de eólica, 2,6% de derivados do petróleo, 3% de nuclear e 75,9% de hidráulica.

- O BNB contratou, de 2003 a junho deste ano, financiamentos no valor de R$ 1,4 bilhão com empresas do setor energético nordestino, beneficiando 22 projetos nos diferentes estados.

in Jornal O Povo

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