sexta-feira, 6 de julho de 2007

Biodisel, combustível do futuro

Detentor da primeira patente brasileira de biodiesel, o engenheiro químico Expedito de Sá Parente é tratado como herói pela criação do combustível ecologicamente correto.

O cearense que já assustou a ministra Dilma Rousseff com o barulho de seu piloto para uma usina elétrica movida a biodiesel e tirou retrato ao lado de foguetes da Nasa (ele está desenvolvendo um bioquerosene para a aviação junto com a agência espacial americana e a fabricante de aviões Boeing), falou sobre o futuro de sua criação durante o 4º Congresso Brasileiro de Plantas Oleaginosas, Óleos, Gorduras e Biodiesel em Varginha (MG).

Nem sempre Parente fez tanto sucesso. "Há trinta anos eu falava sozinho, era taxado de louco. Assinava meus relatórios com pseudônimos para que fossem levados a sério", conta. Hoje, segundo o químico, a tecnologia anda mais rápido. "Se a energia evoluir nos próximos anos como a informática, em breve teremos fontes de energia portáteis, de bolso. E agora a pauta da ciência e tecnologia está voltada para a energia", analisa.

O químico afirma que o petróleo se torna inviável com fenômenos como o crescimento urbano na China e a introdução de novas tecnologias no cotidiano das pessoas, como o computador pessoal. "Além de ser finito, o petróleo gera problemas como a fuligem e a emissão de gases de efeito estufa (GEE). Cada chinês que migra do campo para a cidade aumenta em dez vezes seu gasto de energia", explica.

Diversidade

O modelo de implantação do biodiesel na matriz energética brasileira, que tem levantado discussões acaloradas entre governantes, ambientalistas e estudiosos, deve levar em consideração características regionais. "No Nordeste temos a motivação forte de reduzir a miséria no sertão, uma questão mesmo de dignidade humana. A vocação é para culturas resistentes ao semi-árido e viáveis na agricultura familiar", diz.

O professor explica que, na Amazônia, a implantação deve ser diferente. "Lá é possível reflorestar áreas degradadas com culturas permanentes", diz. Na Região Norte, o biodiesel pode ser uma das principais fontes de energia. "Existem comunidades completamente isoladas, que dependem do transporte do diesel para ter eletricidade e combustível", lembra.

No Sul e no Centro-Oeste do Brasil, a agricultura mecanizada da soja, amendoim e girassol, por exemplo, podem ser boas alternativas segundo Parente. "De acordo com estudos do National Biodiesel Board dos Estados Unidos, nosso País tem capacidade para produzir 60% do óleo para atender o consumo mundial", afirma.

Nova era

"Já passamos pela era do fogo, da lenha, do carvão e do petróleo. Agora estamos começando a entrar na era da energia solar", defende. Para ele, sol será a próxima fonte de energia, de forma direta ou indireta. "Os biocombustíveis vêm da energia solar que incide sobre as plantas. Elas crescem e geram frutos, ou seja, biomassa", ensina. A fonte é inesgotável e também pode criar eletricidade, uma forma de fácil transporte, nenhuma emissão de resíduos e alta eficiência.

Entusiasmado com a energia elétrica gerada pelo sol, Expedito fala orgulhoso de seu novo meio de transporte. "Ganhei um carro totalmente movido por energia solar. Eu mesmo irei fazer o abastecimento na minha garagem e acredito que, no futuro, todos poderão fazer o mesmo", diz.

O 4º Congresso Brasileiro de Plantas Oleaginosas, Óleos, Gorduras e Biodiesel prossegue até o próximo sábado (7), reunindo comunidade acadêmica, empresários e produtores para discutir e refletir sobre os desafios e as possibilidades da agroenergia.

in Sebraeminas

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